Adeus a Tiziana Bonazzola
– 25/03/2011Publicado em: Cultura, Nas Bancas, Social
Uma artista plástica que registrou magistralmente a paisagem de Saquarema
Tiziana com o marido Mário Barata em sua casa na Tijuca (Foto: Hess).
Quando Barra Nova não era ainda um bairro e fazia parte do que então se chamava o longínquo Boqueirão, muito distante da Vila, o prefeito Jurandir Mello concedeu dois lotes em frente ao mar para o professor de história da arte Mário Barata. Casado com a artista plástica italiana Tiziana Bonazzola e pai de três filhos pequenos, o casal passou a frequentar Saquarema, antes mesmo da construção da ponte Rio-Niterói. No local, não havia luz, nem água e o único telefone estava instalado no antigo Hotel Caxangá, onde hoje é o Centro de Desenvolvimento do Vôlei.Italiana de nascimento, Tiziana chegou jovem ao Rio de Janeiro, onde trabalhou como pintora, foi professora da famosa Escolinha de Arte do Brasil, de Augusto Rodrigues, e se tornou uma grande artista plástica, premiada em salões como o I Salão Ferroviário, do qual saiu vencedora, recebendo o prêmio do próprio presidente Juscelino Kubistechk. Mas seu grande orgulho foi a exposição retrospectiva no Museu de Arte Moderna, no Rio, quando completou 70 anos.
Com sensibilidade à flor da pele, Tiziana suportou tudo e conseguiu transformar em cores suaves a paisagem que mais reteve em sua mente: o litoral de Saquarema. Na maturidade, Tiziana fez aquarelas com maestria, imprimindo no papel a luminosidade do oceano, a faixa branca da areia, o verde da vegetação nativa e o delicado arco-íris das flores e das trepadeiras de Saquarema. Estes quadros magníficos e delicados, de uma incrível expressão artística, foram em grande parte reunidos numa exposição no Museu Nacional de Belas Artes, mas deveriam um dia ser vistos também em Saquarema, a cidade que inspirou Tiziana, completando seu ciclo de vida e arte. Adeus, querida amiga.
Matéria publicada na edição de março de 2011 do jornal O Saquá (edição 131)
créditos, link aqui.
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