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sábado, 7 de maio de 2011

literatura

TANKA

Tanka é uma forma japonesa de poesia, quase um haicai, mas com cinco sílabas. Sempre volto aos meus poetas preferidos e Borges escreveu belos tankas:

Alto en la cumbre
todo el jardin es luna,
luna de oro.
Más precioso es el roce
de tu boca en la sombra.

La voz del ave
que la penumbra esconde
ha enmudecido.
Andas por tu jardín.
Algo, lo sé, te falta.

Jorge Luis Borges (Antología poética, Alianza Editorial)

Como no primeiro poema é belíssimo o contraste da lua, que não é de prata, é de ouro e faz brilhar todo o jardim, com a sombra, a boca furtiva, a escuridão da boca e do desejo.

A voz da ave, no segundo poema, emudeceu, mas ela já estava na penumbra, invisível. Agora, nada ilumina o jardim, e tudo é falta, é silêncio.

Como poemas tão curtos podem ter tamanha força e dizer tanto.
Voltar aos poetas que amamos , sempre e sempre, é como chegar em casa.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escritora Roseana Murray

SINTOMAS

Leio hoje no O Globo que o bullying já afeta 84,5% dos estudantes no Rio.O número é apenas um signo. Vamos pensar nos estragos psíquicos, na devastação emocional, na tristeza, depressão, vamos pensar nestas palavras.O bullying é um sintoma da doença chamada "escola", que castra a criatividade e a cachoeira poética que existe em cada criança. Portanto, temos que mudar as escolas, é urgente. Diz a matéria que a maioria dos casos ocorre na rede municipal.O remédio para o bullying é a arte, como já disse ontem. Um grupo envolvido numa atividade criativa tece fortes laços de afeto, cordas vigorosas e não queremos ferir quem amamos.A beleza é curativa, podemos transformar os piores espaços físicos em espaços belos com muito pouca coisa: panos coloridos, fotos, flores,varais de histórias e poesia. A beleza reverbera em cada um e propicia a criação.
Recebo um livro maravilhoso: SYNTHOMAS DE POESIA NA INFÂNCIA, de Glória Kirinus,(ed. Paulinas), grande poeta e Doutora em literatura. Glória nos fala de como a criança é poesia em estado puro e como a escola quer "curá-la" desta doença. Diz Valéria Cristina Pereira da Silva no prefácio:
" O texto Synthomas de Poesia na Infância,enfeixa experiências que colocam a poesia e a arte como caminhos possíveis e verdadeiros para despertar na infância, sobretudo numa infância que ganha tantos rótulos na atualidade (hiperativos, distraídos, impulsivos, rebeldes, etc, etc)o fazer poético."
Entendo o fazer poético num sentido bastante amplo e lúdico. Qualquer maneira de arte vale a pena.

sábado, 9 de abril de 2011

Historias

Os Griots

Depois de um bom jantar, com a lua brilhando, as pessoas de uma aldeia na África antiga podem ouvir o som de um tambor, chocalho, e uma voz que gritava: "Vamos ouvir, vamos ouvir!" Esses foram os sons do griot, o contador de histórias.

Quando eles ouviram o chamado, as crianças sabiam que estavam indo para ouvir uma história maravilhosa, com música e dança ! Hoje a história seria sobre Anansi, a aranha. Todo mundo adorava Anansi. Anansi podia tecer as teias mais bonitas. Ele foi quem ensinou o povo de Gana como tecer o pano de lama bonito. Anansi teve uma boa esposa, filhos fortes, e muitos amigos. Ele entrou em muita confusão, e usou sua inteligência e poder do humor de escapar.

Houve outras histórias que o povo gostava de ouvir mais e mais. Algumas histórias eram sobre a história da tribo. Algumas eram grandes guerras e batalhas. Algumas eram sobre a vida cotidiana. Não havia linguagem escrita na África antiga. Os narradores acompanhavam a história do povo.

Havia geralmente apenas um contador de histórias por aldeia. Se uma vila tentava roubar um contador de histórias de outra aldeia, era motivo de guerra! Os contadores de histórias foram importantes. Os griots não eram as únicas pessoas que podiam contar uma história. Qualquer um poderia gritar: "Vamos ouvir, vamos ouvir!" Mas os griots eram os "oficiais" contadores de histórias. O griot aldeia não tem que trabalhar nos campos. Sua tarefa era contar histórias.

"Diz um conto Africano, que no inicio dos tempos não havia nenhuma história. O mundo era muito triste. Assim o primeiro contador de história, teve que sair pelo mundo para colher às histórias que iria contar. Para acompanhá-lo levou um pássaro em seu ombro, um pássaro-escrivão.
Este homem junto com seu pássaro escutaram o vento, as pedras, o mar, as árvores, os animais e os homens. Enquanto o homem ouvia as histórias o pássaro ia anotando tudo com um pedaço de carvão com goma arábica. Mas o homem temia que estas histórias se perdessem. Então o pássaro pediu que ele colocasse as histórias escritas em uma cabaça com água e deixasse por uma noite. No dia seguinte o pássaro mandou que o homem tomasse aquela água cheia de histórias, e este homem então contou história nos cantos do mundo, e os que ouviram, contaram em outros cantos, e assim segundo o conto Africano nasceram às histórias, que acordam, revelam, alimentam e instigam a nossa imaginação."

quarta-feira, 16 de março de 2011

Poema

A CHUVA

A chuva escreve
na partitura das árvores
um som contido e cristalino,
envolve a mata em água,
traz até a casa
novelos de um passado contínuo.

Posso ouvir meus ancestrais
entre as dobras da chuva:
havia um tio que tocava violino,
escuto seus passos em cima
do telhado
e minha avó soprava o tempo
para que um dia
eu nascesse e a guardasse
num porta-retratos.
Roseana Murray
in Diário da Montanha

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Escritora Roseana Murray

ANJO

Em cada precipício me sento
e um anjo me sussurra com calma
as encruzilhadas,
as estradas desconhecidas.

Todos os meus anseios
estão em suas mãos
e com seu hálito me acalma,
me acalanta.

Durma, ele me diz, sentado
na beira da minha sombra,
não tenha medo dos sonhos.
Roseana Murray

in Carteira de Identidade, ed. Lê.
créditos, link aqui.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Escritora Roseana Murray

HORIZONTE

Se eu apagasse a fina linha
do horizonte
será que o céu cairia
no mar?
E as estrelas e a lua
começariam a navegar?
Ou será que o mar viraria
céu
e os peixes aprenderiam
a voar ?

in Fardo de Carinho, ed. Lê

Escreví este poema em 1980
Roseana Murray

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Escritora Roseana Murray


Agora é tudo pro Luís

Quando meu neto Luis nasceu em Granada, na Espanha, escreví o poema AGORA É TUDO PRO LUIS. Caó Cruz Alves, cartunista e grande artista da animação, transformou o o poema em desenho animado. Pedi para o Caó fazer sem a minha voz e com música do meu filho Guga, o resultado é belíssimo.
Clique para ver...

. . . . . . . . . . . . . . . . . créditos Link aqui. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

sábado, 25 de dezembro de 2010

Escritora Roseana Murray

PAZ

Na ponta dos pés
como bailarina pisando
em folhas e assombros,
costurar os dois lados da lua,
a Terra no céu,
e no céu e na Terra
desenhar com o corpo inteiro
a palavra paz.

Roseana Murray, in Todas as Cores dentro do Branco, ed. Nova Fronteira

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Poema de Natal

PARA O NATAL

Para o Natal reserve os mais belos
gestos,
a dança mais cristalina,
escolha uma estrela longínqua,
que ainda não tenha sido descoberta,
para enfeitar a festa.

Embrulhe palavras com luz
e oferte a quem ama:
não há presente mais certo.

E que caibam na mesa
os que já se foram,
os que ainda não chegaram
e os que enchem a casa de sol.

Para o Natal pinte as mãos
com sua cor preferida
e distribua beijos
como vagalumes
para lembrar o homem
que nesta hora, em algum lugar
distante no tempo,
transformava água em vinho
e multuplicava os peixes. 

sábado, 6 de novembro de 2010

Poema

AMIGO

No rumo certo do vento,
amigo é nau de se chegar
em lugar azul.
Amigo é esquina
onde o tempo para
e a Terra não gira,
antes paira,
em doçura contínua.
Oceano tramando sal,
mel inventando fruta,
amigo é estrela sempre
no rumo certo do vento,
com todas as metáforas,
luzes, imagens
que sua condição de estrela contém.

Roseana Murray
Confira outros, acesse:
http://www.roseanamurray.com/poemas.asp





Poemas de Céu, ed. Paulinas, ilustrações de mari Ines Piekas

domingo, 31 de outubro de 2010

Poema Animado

Caldeirão da Bruxa
O CALDEIRÃO DA BRUXA é um dos poemas do livro Poemas e Comidinhas que fiz em parceria com meu filho, o Chef de Cozinha André Murray. Caó fez as ilustrações e o resultado é maravilhoso. Decidimos pescar um dos poemas e transformá-lo em poema animado. Ficou ótimo.
A um clique da sua mão...