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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Um pé de quê?

Aroeira


Aroeira dura a vida inteira e mais cem anos! Todo homem do campo sabe que esta árvore, dura e pesada, é sinônimo de durabilidade e resistência. Entre as mulheres o sinônimo é outro: saúde. Aroeira é o remédio da mulher. Regina Casé, neste Um Pé de Quê?, viaja a São Paulo e ao Ceará mapeando os ditos e usos populares desta árvore querida a tantos brasileiros.

urundeúva, aroeira-do-sertão, aroeira-do-campo, aroeira-da-serra, uriundeúva, arindeúva, arendiúva, aroeira-preta.

Nome científico
Myracrodruon urundeuva Allemão
Família
Anarcadiaceae
Características morfológicas:
Árvore de 6-14 m de altura no cerrado ou caatinga, podendo chegar a 25 m em terrenos mais férteis de outras regiões, de copa piramidal.
tronco de 50-80 cm de diâmetro.
folhas reunidas em número de 5-7, dispostas alternadamente ao longo de uma haste central, de 15 a 23 cm de comprimento, e composta por folíolos alongados a ovais, às vezes pontiagudos, de margem lisa a serrilhada, de 4-7 cm de comprimento por 1,5-3 cm de largura, muito aromáticos e levemente cobertos por pelos.
flores pequenas, de 2-3 mm de diâmetro, simétricas, de 5 sépalas e de cor creme, agrupadas em cachos - mais ramificados e densos, quando as flores são masculinas, e mais alongados e ralos, quando as flores são femininas. As flores masculinas têm 5 estames, que se projetam para fora, de coloração creme ou laranja. Já as femininas apresentam os 5 estames atrofiados.
fruto redondo para oval, com cerca de 5 mm de comprimento, de casca castanho-escura, de polpa castanha, carnuda e resinífera, dotado de odor característico e de uma única semente, envolta por um tecido fino.
semente redonda, de 2-4 mm de comprimento, desprovida de amêndoa em seu interior.
floração ocorre de junho a julho, geralmente com a árvore nua de folhagem. Seus frutos amadurecem de fim de setembro até outubro.
uso/árvore de uso paisagístico, indicada para arborização em geral, apesar de perder suas folhas no inverno e de causar alergia durante a floração.
uso/madeira muito pesada, de grande resistência mecânica e praticamente não apodrece. Excelente para obras externas, como postes, moirões, esteios, estacas, dormentes, vigas e armações de pontes, moendas de engenho, e para construção civil, como caibros, vigas, tacos para assoalhos, ripas, para peças torneadas etc.
uso/outras utilidades A aroeira apresenta grande uso farmacológico. Sua entrecasca possui propriedades antiinflamatórias, adstringentes, antialérgicas e cicatrizantes. As raízes são usadas no tratamento de reumatismo e as folhas são indicadas para o tratamento de úlceras
obtenção de sementes Colher os frutos diretamente da árvore, assim que iniciarem a queda espontânea. Em seguida levá-los ao sol para facilitar a remoção das pétalas. Fruto e semente são praticamente indissociáveis, devendo-se semear o fruto inteiro.
produção de mudas Colocar os frutos para germinar em canteiros contendo substrato arenoso enriquecido de matéria orgânica. A emergência ocorrem em 8-18 dias e a taxa de germinação é superior a 80%. O desenvolvimento das mudas é rápido, mas o da planta no campo é apenas moderado.
referêcia bibliográfica Cordeiro, Sidclay ; Gamarra , Cíntia; Gamarra , Guillermo; Lima, Marcelino; e Gallindo, Fernando. “Plantas úteis do Nordeste do Brasil”. Publicação: Associação Plantas do Nordeste – APNE. | KILL, Lúcia Helena Piedade; DIAS, Carla Tatiana de Vasconcelos; e DA SILVA, Martins e Paloma Pereira. “Biologia reprodutiva de duas espécies de Anacardiaceae da caatinga ameaçadas de extinção”. In: ALBUQUERQUE, U. P. de; MOURA, A. do N.;ARAÚJO, E. de L. (Ed.). “Biodiversidade, potencial econômico e processos eco-fisiológicos em ecossistemas nordestinos”. Bauru: Canal6, 2010. | LORENZI, Harri. Árvores Brasileiras Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil. Vol. I. Editora Plantarum, Nova Odessa, São Paulo, 1992, p.5 | NUNES, Yule Roberta Ferreira et al . Aspectos ecológicos da aroeira (Myracrodruon urundeuva Allemão- Anacardiaceae): fenologia e germinação de sementes. Rev. Árvore, Viçosa, v. 32, n. 2, Apr. 2008.
assista o vídeo e veja as fotos, link aqui.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um pé de quê?

Abricó-de-Macaco

A amazonense Couroupita guianensis é a estrela deste Um Pé de Quê? Descoberta pelo artista Roberto Burle Marx, foi introduzida no Rio de Janeiro no palco de maior destaque do paisagismo brasileiro, o Aterro do Flamengo. Hoje, a espécie popularizou-se a ponto de se consagrar uma carioca típica. Regina Casé segue a trilha do sucesso desta árvore que arrebata corações.

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Abricó-de-Macaco

macacarecuia, castanha-de-macaco, cuia-de-macaco, amêndoa-dos-andes, bola-de-canhão

Nome científico
Couroupita guianensis Aubl.
Família
Lecythidaceae
Características morfológicas:
Árvore mede entre 8 a 15 metros
tronco de 30-50 cm de diâmetro, rugoso.
folhas simples, de formato elíptico e alternadas.
flores muito perfumadas, brotam dos troncos em longos cachos de flor, cujo ramo central pode chegar a 3 metros de comprimento. Cada flor contém seis pétalas carnudas, de cor esverdeada, alaranjada ou vermelha, e longos estames brancos, amarelos ou rosados, de cor amarela na extremidade.
fruto parece uma grande bola “de canhão”, de casca marrom e lenhosa, com cerca de 3 quilos e 20 cm de diâmetro, que pende do ramo central de onde sustentam-se as flores. Sua polpa é gelatinosa, azulada e com cheiro forte, com 200 a 300 sementes.
semente achatada e arredondada.
floração longa, pode perdurar por todo o ano. Porém, é mais intensa nos meses de setembro a março. Os frutos da Abricó-de-macaco levam quase um ano para amadurecer e podem ser muito perigosos quando caem. A maturação dos frutos ocorre de dezembro a março.
uso/árvore devido à sua floração exótica, constitui um atrativo para o paisagismo. Entretanto, a queda dos frutos pode causar graves acidentes, bem como o forte odor da decomposição dos frutos pode configurar-se um inconveniente.
uso/madeira leve, macia, pouco resistente e ligeiramente áspera. Pode ser empregada na confecção de brinquedos e embalagens leves, folhas para compensado etc.
uso/outras utilidades a casca é fibrosa e utilizada localmente para a confecção de cordoalha. O óleo essencial das flores é utilizado em perfumaria. Os frutos desprovidos da polpa são utilizados como utensílios domésticos, principalmente como cuia ou recipiente.
obtenção de sementes Recolher os frutos do chão, abri-lo manualmente e sacar as sementes. Lavá-las e, em seguida, secá-las ao sol.
produção de mudas Assim que prontas, colocar as sementes para germinar em recipientes individuais. A emergência ocorre em 8-15 dias, com taxa de germinação superior a 80%. Plantá-las em local definitivo com 5-7 meses de idade. O desenvolvimento é considerado rápido.
referêcia bibliográfica LORENZI, Harri. “Árvores Brasileiras Manual de Identificação e Cultivo de Plantas Arbóreas Nativas do Brasil”. Vol. I. Editora Plantarum, Nova Odessa, São Paulo, 1992, p.137.

REYES, A. E. L. “Trilhas da ESALq - Árvores Úteis: abricó-de-macaco”.

SOBRINHO, José Aguiar. “Couroupita guianensis Aubl., Castanha-de-macaco, uma árvore para o paisagismo em geral” In “Floresta e Ambiente”, V.6, n.1, p.147 - 148, jan./dez. 1999
Abricó-de-Macaco
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cultura

identifique pelo guia visual identifique pelo nome

Fazer um programa de TV sobre as árvores brasileiras. Esse era o nosso desafio. Não só pela dificuldade de convencer os parceiros e patrocinadores a transformar esse sonho em realidade mas também pela complexidade de trabalhar o conteúdo botânico como entretenimento de massa. Acho que conseguimos. Já são dez anos de programas no ar, com mais de 100 árvores retratadas, espécies de todos os biomas brasileiros.
Além de apresentar aspectos morfológicos das plantas (pois um dos objetivos do programa é facilitar a identificação das espécies) o "Um Pé de Quê?" quer aproximar as árvores dos espectadores através da música, da culinária, da história, da tecnologia, da antropologia... Trazer as árvores para o dia-a-dia das pessoas, revelar, por exemplo, o que a Carnaúba tem a ver com a maneira que nossos avós ouviam música, ou entender por que o pigmento vermelho do Pau-Brasil foi tão importante para a Europa do século XVI.
Com as viagens que fizemos por todo o Brasil nos primeiros anos, fomos entrando em contato a devastação da fauna e flora brasileira, a deterioração das paisagens naturais dos biomas brasileiros. Foi ficando claro que algo estava muito errado no ontem e hoje do Brasil. Em 2004 fizemos a primeira série totalmente dedicada a um bioma específico: a Amazônia. Os dados eram alarmantes, a velocidade da destruição estonteante, visitamos com dor no coração áreas devastadas onde enormes Castanheiras remanescentes testemunhavam o fim do que há poucos tinha sido uma floresta exuberante. Em compensação, conhecemos de perto a generosidade da Seringueira, do Assacú, da Sumaúma, do Tucumã e de todos que convivem com essas árvores. Nunca vou me esquecer de um almoço numa localidade remota do Marajó onde comi um do melhores almoços de minha vida: camarão, farinha e açaí.
Em 2005 partimos para uma atuação mais política. Comemoramos os 18 anos de existência da SOS Mata Atlântica com uma série de 20 programas inteiramente dedicados à Mata Atlântica, que foi por nós batizada: a "mata vizinha", já que mais de 60% da população brasileira vive cercada por ela. Essa certamente foi a maior causa de sua destruição mas hoje pode ser também o caminho para sua salvação. Desde então, o "Um Pé de Quê?" desenvolve uma parceria com a SOS MA, além de outros parceiros constantes como o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Instituto Plantarum.
Em 2006, realizamos nossos primeiros episódios internacionais retratando árvore africanas. Uma viagem a Moçambique revelou muito mais semelhanças entre os dois países do que só a língua: a importância das árvores na vida das pessoas, na formação cultural e na história do país.
Em 2007 nos tornamos o primeiro programa de TV a neutralizar todas as emissões de gases do efeito estufa de sua produção, realizando um programa inteiramente voltado ao tema do aquecimento global, além de retratar árvores como a Pitanga (o mote do programa era: me diga dez frutos da Mata Atlântica! Você sabe?) e o Visgueiro, o Rei da Mata Atlântica!
Em 2008, foi a vez de comemorarmos e divulgarmos a Lei da Mata Atlântica. É um dever nosso fazer com que, depois de anos de luta no Congresso Nacional, ela seja conhecida e cumprida. Nesse ano também, comemoramos os 200 anos do nosso querido Jardim Botânico do Rio de Janeiro!
Em 2009, além de um especial sobre o mestre Burle Marx, o programa ganha o Prêmio de Reportagem sobre a Biodiversidade da Mata Atlântica - promovido pela Aliança para a Conservação da Mata Atlântica, uma parceria entre a Fundação SOS Mata Atlântica e a Conservação Internacional.

Em 2010, lançamos uma série especial de quatro episódios sobre o Japão, este site www.umpedeque.com.br e os livros sobre Pau Brasil, Seringueira e Favela.
Hoje, o programa exerce plenamente sua vocação educacional servindo de material educacional em inúmeras escolas e instituições por todo o país. Já a prova de que é um entretenimento de massa acontece quando um senhor nas ruas de São Paulo ou uma criança no nordeste brasileiro olha para Regina Casé (estrela de inúmeros outros programas da TV Globo) e diz: "Olha a mulher do Um Pé de Quê?!". Como eu fico feliz!
ESTEVÃO CIAVATTA