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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Mitos indígenas

Histórias do dia e da noite. Povos Ticuna e Xavante

Histórias do dia e da noite. Povos Ticuna e Xavante

A SAMAUMEIRA QUE ESCURECIA O MUNDO

No princípio, estava tudo escuro, sempre frio e sempre noite.
Uma enorme samaumeira, wotchine, fechava o mundo, e por isso não entrava claridade na terra.

Yo´i e Ipi ficaram preocupados. Tinham que fazer alguma coisa. Pegaram um caroço de araratucupi, tcha, e atiraram na árvore para ver se existia luz do outro lado. Através de um buraquinho, os irmãos enxergaram uma preguiça-real que prendia lá no céu os galhos
da samaumeira.

Jogaram muitos e muitos caroços e assim criaram as estrelas.

Mas ainda não havia claridade. Yo´i e Ipi ficaram pensando e decidiram convidar todos os animais da mata para ajudarem a derrubar a árvore. Mas nenhum deles conseguiu, nem o pica-pau. Resolveram, então, oferecer a irmã Aicüna em casamento para quem jogasse formigas-de- fogo nos olhos da preguiça-real.

O quatipuru tentou, mas voltou no meio do caminho. Finalmente aquele quatipuruzinho bem pequeno, taine, conseguiu subir. Jogou as formigas e a preguiça soltou o céu. A árvore caiu e a luz apareceu. Taine casou-se com Aicüna.

Do tronco da samaumeira caída formou-se o rio Solimões. De seus galhos surgiram outros rios e os igarapés.

Origem: GRUBER, Jussara Gomes (Org.). O livro das árvores. São Paulo : Ed. Global, 2006. páginas 14 e 15


Rómraréhã Rówasu´u - História do tempo da escuridão

Eu vou contar, eu vou contar…
Antigamente o povo A´uwê vivia na escuridão.
Antes da lua. Antes do sol.

Os wapté estavam assando ovos de ma. Comendo. Wapté têm respeito, dizem a verdade entre si.

– Como vocês quebraram os ovos de ema?
– Nós quebramos batendo com os ovos no peito.
– Eu não acredito.
– É verdade! É verdade.

Eles não falaram a verdade. Não falaram.
Ovos de ma assados são muito quentes. É muito quente! Por isso eles inventaram…
Mesmo não acreditando, o wapté bate com o ovo no peito. Então quebra.
Ele grita de dor.

– Asu ruru… Asu ruru…

Corre para o rio. De mão fechada. Grita de dor. Está gemendo.
Ele se joga na água para esfriar o peito. E fica rolando, rolando na água escura. Até no fundo da água.
Ele melhora, fica em pé.
Ele se transforma em lua.
A lua é branca. Brilha. Brilha como ovo de ema.
É assim que surgiu a lua.

Ãné!
* ma- ema
Origem: Sereburã, Hipru, Rupawê, Serezabdi, Serenimirãmi, Wamreme Za´ra-Nossa palavra : mito e história do povo Xavante. São Paulo : Ed.Senac, 1998. página 24
 Créditos : Amoa Konoya - Arte Indígena

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cultura Popular Brasileira - Carnaval

Vamos entender a origem da dança do Mestre Sala e da Porta Bandeira.
            Da junção, num primeiro momento, dos povos formadores da nossa nação: índios, portugueses e negros, iniciou-se desde então a este período de “colonização” a choques étnicos culturais,e desta mescla de conflitos de religião, costumes, conduta e formação social, é que devemos o Brasil de hoje.
Na dança, na música, na pintura, enfim, em todas as formas de arte brasileira encontramos o traço destes povos sensivelmente inseridos.
Na música, nas melodias trazidas da Europa, na percussão, nas entoadas dos índios, nas curimbas e percussão do negro devemos a formação do nosso ritmo mais conhecido, tanto no Brasil, como no mundo: O SAMBA.
Nas manifestações populares o samba contribuiu para outra paixão ncional, na formação e na origem do CARNAVAL que conhecemos hoje. Pois é sem dúvida alguma, a nossa identidade mais forte, em se tratando de Brasil, como para o mundo todo.
O ambiente formador do carnaval são as ESCOLAS DE SAMBA, mais do que um ambiente a Escola de Samba é um modelo social. A interação entre seus componentes parte apenas da vontade de se divertir, cantando e dançando. Não existe um padrão hierárquico social: o indivíduo se distingue por ter mais ou menos habilidade para dançar, cantar  ou tocar algum instrumento. As pessoas dos mais diferentes níveis, universitários ou com apenas a educação elementar encontram-se com empresários, médicos e tantos outros, em uma grande salada.
À semelhança do que acontece com os times de futebol, as Escolas de Samba contam com grandes torcidas, e, como eles, possuem cores específicas.
Escola de Samba na verdade é uma espécie de clube, cujo objetivo principal é o desfile de carnaval. A escola possui dois lugares distintos: a quadra(sede) e o barracão. Na quadra acontecem as disputas para a escolha do samba enredo, é onde se fazem os ensaios, quando os componentes aprendem o samba e dançam. O barracão é o lugar onde se prepara o desfile para o carnaval.
Na Escola de Samba, assim como no Brasil, não se define um tipo para o brasileiro, não há como definir uma categoria social ou racial específica, podendo parecer japonês, alemão, árabe, português, africano, índio, italiano, ou a mistura de dois ou três deles, do mesmo modo, o freqüentador da Escola de Samba não pode ser definido.
Talvez seja a mais perfeita integração entre as diversas camadas sociais da população. O que vale é o talento, talento para dançar, cantar, evoluir, em uma grande tenacidade para ganhar o campeonato.
No carnaval, dentro desta manifestação considerada a maior do mundo, o maior teatro à céu aberto, ou ainda o maior espetáculo da terra, este por sua vez possui algumas particularidades como data certa para acontecer. Neste período há desfiles promovidos por uma ou mais escola de samba, cada uma destas escolas com uma comunidade própria. Dentro destas comunidades podemos destacar algumas figuras importantes para que aconteça estes espetáculos em forma de desfile como: COMISSÃO DE FRENTE, PORTA ESTANDARTE, O INTÉRPRETE(cantor), ALEGORIAS, ALA DE BAIANAS, BATERIA, ALAS, PASSISTAS e o CASAL DE MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA.
Todos eles possuem importância vital para cada Escola de Samba.
Mas o casal que porta a bandeira símbolo de cada uma possui uma especialidade a parte. Pois , pensem ,se o Brasil fosse uma “Grande Escola de Samba”, como referenciaríamos o casal que carregasse o nosso símbolo maior?
Sem duvida eles são a essência das agremiações que representam.
 
Vejamos o que a consagradíssima carnavalesca da Imperatriz Leopoldinense do Rio de Janeiro, Rosa Magalhães escreveu em seu livro “FAZENDO O CARNAVAL” sobre a dupla de Mestre Sala  e Porta Bandeira:
 
“ A parte mais representativa da Escola de Samba é o casal de Mestre Sala  e Porta Bandeira. Tem a grande responsabilidade de representar o conjunto de todos os participantes. Eles são a essência mesmo da Escola, a raiz mais compacta de uma entidade carnavalesca.
A bandeira de cada agremiação tem tanta importância que se costuma beijar sua borda, oferecida pelo Mestre Sala quando se é uma visita ou em sinal de respeito. Existe todo um cerimonial que envolve a bandeira e o casal.
Cada uma destas bandeiras tem um desenho próprio e as cores são sempre as da escola, e essa decoração também possui simbologias.
A dança é muito importante. O Mestre Sala  executa uma coreografia com duas finalidades: cativa a Porta Bandeira e ao mesmo tempo protege o pavilhão que ela carrega. Os trajes podem ser alusivos ao enredo ou tradicionais como as damas da corte de Luís XV. A Porta Bandeira sobretudo, deve estar muito bem vestida, inclusive por que o julgamento tem-se em conta não só a dança como o traje. Não há o que inovar neste setor.”

Reflexões sobre o casal de Mestre Sala , Porta Bandeira e Porta Estandarte
Historicamente a dança do Mestre Sala  e da Porta Bandeira é sem dúvida formada na época da escravidão do povo africano. Onde se uniram as danças dos ritos e rituais aos orixás(pois é indiscutivelmente a dança característica desta etnia) pela apreciação dos negros escravos pela dança da corte européia, que analisavam cuidadosamente(quando podiam) os passos dos nobres, que bailavam ao som do Minueto, e após, na senzala, esses negros repetiam, de sua forma a dança vista na casa grande, caricata, pois diferente dos seus senhores e senhoras, não praticavam nem freqüentavam as aulas de dança, para os famosos saraus. 
No século XVIII, os saraus na corte e Luiz XV dão o exemplo de classe e graça das danças francesas. Mais adiante os saraus em terras brasileiras ganham expectadores muito atentos que, da senzala, apreciam os gestos feitos pelo mestre de cerimônias na abertura dos salões e condução dos casais. A seguir montam sua própria roda de dança e jocosamente, refletem todo o gestual, numa caricatura da corte. Por conseguinte as vestimentas do Mestre Sala e da Porta Bandeira se inspira na indumentária da época. E os passos do casal jamais lembra o samba, mas a aristocrática dança dos salões.  

Até o início dos anos 30, a porta bandeira precisava de proteção, sendo a personagem mais visada nas disputas entre as Escola de Samba, por estar na guarda do pavilhão, galhardão maior. Um Mestre Sala  de uma escola rival, com uma navalha tentava se aproximar da Porta Bandeira para retalhar a bandeira ou o estandarte. A partir daí, os sambistas passaram a confeccionar tanto a camisa do Mestre Sala  quanto a bandeira em cetim ou seda dificultando o corte. A partir de então a luta passou a ser simbolizada: um Mestre Sala  tomava a mão da Porta Bandeira da escola adversária. Ela seguia dançando até a sede do vencedor, obrigando o seu Mestre Sala a acompanha-la para uma resgate amigável.
Esta história vem desde os primórdios das escolas de samba, quando estas eram chamadas de ranchos carnavalescos, e a dupla era conhecida por baliza e porta estandarte.
O baliza, hoje Mestre Sala , tinha a incumbência de defender sua companheira e o estandarte por ela carregado, uma vez que esta peça corria o risco de ser arrebatada por componentes de outros grupos desfilantes rivais.
O “roubo” ocorria, normalmente, no clima da euforia momesca, quando as agremiações se apresentavam e os Mestre Salas, desenvolvendo o bailado se descuidavam da proteção da Porta Bandeira.
As Porta Estandartes, hoje Porta Bandeiras, contavam ainda com outro tipo de proteção(os chamados porta machados), exercidas por garotos que ficavam ladeando a “protegida”. A garotada foi aos poucos sendo substituída nas escolas de samba pelas chamadas “bainas-de-linha”, na verdade homens fantasiados de baiana, com navalhas presas às pernas, que ficavam nas laterais das escolas exercendo a função de protetores.
A partir da oficialização das Escolas de Samba, o Mestre Sala e a Porta Bandeira tornaram-se os principais personagens da escola que defendem.
Ramon Carvalho

 
Há estudos mais profundos sobre o assunto, para entendermos a importância de tanta simbologia, o pesquisador Ilclemar Nunes no “ESTUDO DE MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA, MANEIOS E MESURAS”, foi buscar as origens da dança da dupla, no ritual praticado pelas meninas moças africanas, quando da preparação para o casamento e nos atos dos rapazes guerreiros, que se apresentavam como candidatos à disputa das moças, dançando.
Pesquisas outras consideram que as porta estandartes dos ranchos carnavalescos teriam raízes bem mais remotas, pois, no tempo da colônia, os escravos conseguiam identificar as tribos africanas de outros grupos, durante festas populares ou durante sepultamento de negros importantes, que por meio de pedaços de pau, ao qual aqueles negros prendiam fragmentos de pano com cores representativas (bandeira).
Nos cortejos da Rainha e do Rei do Congo, um negro sem camisa e descalço carregava um mastro com um pano colorido na ponta, era o Porta Estandarte do cortejo real.
Nas festas do Imperador do Divino, que se apresentava nos domingos de Páscoa , o Imperador eleito saia pelas ruas com uma corte numerosa tendo a frente o "Alferes da Bandeira" carregando o pavilhão do Divino, e o estandarte era respeitosamente beijado, como fazemos hoje com as bandeiras das Escolas de Samba assim como em toda manifestação sócio cultural do negro estava presente o porta-bandeira. Acreditamos que este seja os primórdios dos atuais Mestre-Sala e Porta-Bandeira.
Os Blocos e os Ranchos desfilavam com Porta Estandarte e Baliza que tinha que dançar e ficar atento a qualquer movimento, já que qualquer distração poderia ser fatal e terminar com sua carreira. Perder a porta Estandarte e o Pavilhão para o Baliza da agremiação rival, era a maior humilhação, o pavilhão só seria recuperado no ano seguinte quando tinha que ir buscar no local de ensaio do bloco realizador da façanha, via de regra nestas ocasiões o pau comia solto aos gritos de "Enrola o pano" ou seja enrola o Pavilhão.
O saudoso Juvenal Lopes que foi meu Presidente na Mangueira, era no início da década de 30, o Baliza da Deixa falar.
Segundo depoimento de Cartola e Carlos Cachaça, foi o velho Maçu quem introduziu e primeiro desfilou como Mestre-Sala nas Escolas de Samba, aprendeu com o famoso Hilário Jovino Ferreira, o Laiu de Ouro, com o Getúlio Marinho e Teodoro, ases na coreografia elegante, cheia de arabescos com que conduziam a Porta-Estandarte. Com um lenço branco nas mãos ou um leque que os balizas usavam nos Ranchos e Blocos, e o Mestre-Sala incorporou, os personagens sugeriam figuras buscadas na Corte Real e a coreografia era sóbria de elegância e finura.
Perdemos muito desta raiz, embora alguns ainda mantenham a leveza de um bale, hoje as evoluções acrobáticas, a coreografia desenvolta compromete a elegância do Mestre-Sala e não é conduzente com o seu trajar.

OUTROS FATOS IMPORTANTES:
-         Era costume nos primórdios, homens carregarem os estandartes dos cordões carnavalescos, crendo-se que uma das primeiras Porta Bandeiras, isolada tenha sido Portela, mas na verdade foi um homem chamado Ubaldo. Ele empunha o símbolo da agremiação na guarda de honra, que era adotada na época.
-         Nos ranchos carnavalescos uma figura feminina exerceu o papel de Mestre Sala, Maria Adamastor, famosa por suas excelentes atuações, tendo se tornado bastante conhecida nos carnavais do Rio de Janeiro. Jota Efegê, diz que a Deixa Falar, tida e havida como a primeira Escola de Samba, só incorporou a figura(personagem) do Mestre Sala, que foi Benedito Trindade, quando tentou se tornar um rancho.
-         Juvenal e Ceci, segundo alguns estudiosos, formaram o primeiro par de Mestre Sala  e Porta Bandeira da primeira Escola de Samba carioca, a Deixa Falar. Segundo outros Maçu (Mangueira), o Marcelinho José Claudomo, foi o introdutor de Mestre Salas nas Escolas de Samba.
-         Os percussores da inovação dos ranchos foram Hilário Jovino Ferreira, Getúlio(Amor) Marinho, Maria Adamastor, Antônio Farias( o Bull-dog ). Getúlio de Pava (Bororó), Teodoro(Massadas) e João Paiva Germano. 

Todos os créditos à

S.C.B.C. IMPÉRIO DO SOL


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

6 de fevereiro 415 anos do Quilombo dos Palmares


Alagoas celebrará 415 anos do Quilombo dos Palmares
Na data em que se relembra a última batalha do Quilombo dos Palmares em Alagoas, ocorrida em 6 de fevereiro de 1694, a representação da Fundação Cultural Palmares (FCP) realizará uma celebração por meio do projeto De volta a Angola Janga. Neste mesmo ano o quilombo completa 415 anos de fundação e 318 de sua derrubada, porém a homenagem só será completa com a participação dos herdeiros de Palmares. continue lendo acesse aqui

domingo, 3 de julho de 2011

Sobre o conceito de cultura



Por Idelber Avelar

“Cultura” é daquelas palavras escorregadias, aparentemente simples, que com frequência são usadas com sentidos não só diferentes, mas antagônicos. Mais produtivo que estabelecer qual é a definição “correta” de cultura seria observar quais os sentidos adquiridos pela palavra ao longo do tempo e o que eles nos dizem sobre os seus referentes no mundo real. É o que tento fazer na coluna deste mês.

Palavras-Chave, do marxista britânico Raymond Williams, obra publicada no Brasil pela Boitempo, é um ótimo guia do assunto. “Cultura” vem do verbo latino colere, que combinava vários sentidos: cultivar, habitar, cultuar, cuidar, tratar bem, prosperar. Do sentido de habitar derivou colonus. Têm, portanto, origens comuns as ideias de colonização, culto e cultura. Já em Cícero (106 a.C. - 43 a.C.) aparece o sentido de cultura como “cultivo da alma”, mas é mesmo a partir do Renascimento que se consolida a analogia entre o cultivo natural e um desenvolvimento humano. É nesse sentido que Thomas More, Francis Bacon ou Thomas Hobbes, nos séculos XVI ou XVII, falam de “cultura da mente” ou “cultura do entendimento”. É uma metáfora derivada da analogia com o sentido material, agrícola do termo.

A naturalização dessa metáfora fez com que se cristalizasse o sentido de cultivo humano, e nos séculos XVIII e XIX o termo “cultura” começa a aparecer como autossuficiente, dissociado do objeto desse cultivo. Até o século XVIII, tratava-se sempre da cultura de alguma coisa, fossem plantações, animais ou mentes. A partir daí, segundo Williams, “o processo geral de desenvolvimento intelectual, espiritual e estético foi aplicado e, na prática, transferido para as obras e práticas que o representam e sustentam”. Em outras palavras, firma-se ali o sentido de “cultura” como um bem que alguns possuem e outros não. Esse sentido permanece conosco, quando dizemos que alguém é “culto” ou “tem cultura”. É uma acepção excludente da palavra, que com frequência ganha contornos, inclusive, aristocráticos.

Com a antropologia, no final do século XIX e, especialmente, no século XX, volta-se às raízes materiais do conceito de cultura, mas agora com ênfase na sua universalidade humana. “Cultura” passa a ser entendida como o conjunto de valores, crenças, costumes, artefatos e comportamentos com os quais os seres humanos interpretam, participam e transformam o mundo em que vivem. Nenhuma comunidade humana está excluída dela, embora, também com a antropologia, solidifique-se o processo que faz de “cultura” um substantivo passível de ser usado no plural. As culturas humanas são múltiplas, diferentes, irredutíveis entre si e, acima de tudo, não são hierarquizáveis. Na acepção antropológica do termo, não há sentido em se falar de mais ou menos cultura, ou de culturas superiores ou inferiores a outras. Há uma veia radicalmente relativista na concepção antropológica de cultura, que se realiza em sua plenitude na obra de Franz Boas, mestre de Gilberto Freyre.

Nos debates sobre política cultural, é sempre instrutivo observar com qual sentido cada interlocutor usa o vocábulo “cultura”. Do ponto de vista antropológico, não teria sentido dizer, por exemplo, “levar cultura para o povo”, posto que qualquer povo está inserido em sua cultura — ele não seria povo sem ela. Mas é frequente que assim se designe a função dos Ministérios ou das Secretarias da cultura. Tampouco teria sentido, exceto na acepção excludente e aristocratizante apontada acima, falar de “produtores de cultura” como uma classe à parte, diferente daqueles que seriam seus meros consumidores. Mas não é incomum, em discussões sobre política cultural, a desqualificação de interlocutores como sujeitos que supostamente estariam “fora” da cultura ou que não seriam “da área” da cultura. Ora, não há seres humanos vivendo em sociedade que estejam fora da cultura.

O uso excludente do termo se reproduz quando se igualam os “produtores de cultura” à chamada “classe artística”. Essa é a sinédoque — redução do todo a uma de suas partes — que me parece mais daninha nas discussões sobre política cultural. A cultura é a totalidade das formas em que um povo produz e reproduz suas relações com os sentidos do mundo. Reduzi-la às indústrias cinematográfica, teatral e fonográfica é reeditar a exclusão segundo a qual alguns produzem cultura e outros a consomem. Implicitamente, é ignorar e desprezar o fazer cotidiano de milhões de brasileiros. Não há por que um pequeno conjunto de profissionais das citadas indústrias, concentrados principalmente em duas cidades brasileiras, se apresentarem como os representantes da área de responsabilidade do Ministério da Cultura. Essa redução atende a interesses nada republicanos e é incompatível com uma concepção democrática de cultura.

Um Estado que tivesse democratizado completamente sua concepção de cultura seria então, no limite, um Estado em que cineastas, atores e compositores não fossem percebidos como sujeitos da cultura mais que pedreiros, domésticas ou camponeses. Seria um Estado em que a conversa jamais incluísse expressões como “pessoas que não são da área da cultura”. Seria um Estado onde a ideia de “levar cultura ao povo” não fizesse sentido. Seria um Estado que soubesse encontrar, valorizar e construir pontes entre os muitos fazeres culturais que já estão acontecendo em seu território. Um Estado onde seria impensável que um agente do poder público se apresentasse como representante dos “criadores de cultura”, a não ser que com essa expressão o agente se referisse à totalidade dos que vivem sob a égide desse Estado. Seria um Estado que genuinamente captasse a cultura como a totalidade dos sentidos do fazer humano.

Mais que nomes, cargos, tendências, correntes e conchavos, os acalorados debates em torno do Ministério da Cultura que têm tido lugar no Brasil nos últimos meses são uma oportunidade para que se repense essa questão de fundo: qual é a compreensão de cultura que queremos, quais são as visões e conceitos de cultura que fazem justiça à nossa experiência como povo.

Empreendedores Criativos: os novos Mestres do Universo

João Mattar |

Li mais um artigo (curto) no Read/Write Web que gostaria de comentar por aqui: Creative Entrepreneurs: The Next Masters of the Universe. Na verdade vou praticamente resumir, ao mesmo tempo em que comento algumas passagens.
Por décadas os financiadores foram os Mestres do Universo, como os commodities traders, os forex traders, os bond traders, os venture capitalists, os Private Equity (PE) e Hedge Funds.
Mas neste momento da história, o poder está se movendo para os empreendedores criativos, ou seja, pessoas criativas, como desenvolvedores, músicos, atores, cientistas, escritores etc. É profunda a tendência que transforma pessoas criativas em empreendedores, com fortes implicações disruptivas e destrutivas para as grandes empresas. E a Internet, é claro, desempenha um papel essencial nessa tendência. Eis alguns exemplos da mudança:
* Radiohead decide vender suas músicas online, ignorando as empresas que dominam as vendas de músicas e até mesmo os novos iTunes e Amazon. Provavelmente outros músicos seguirão o mesmo destino.
* Desenvolvedores de software que não precisam mais passar pelos Vice-Presidentes ou Diretores de Tecnologia.
* Pessoas que querem chamar a atenção para elas, para seus produtos ou serviços também não precisam mais contratar empresas de relações públicas para fazer com que os jornalistas as enxerguem.
* Em Hollywood, observa-se uma mudança dos estúdios para os atores e diretores, e o caminho do YouTube ao Sundance (e alternativas) deu origem a uma rede crescente de cinema independente.
* Para autores, a rejeição por parte das editoras torna-se menos deprimente já que é possível publicar a si próprio utilizando o Lulu.
* Para os empreendedores, os venture capitalists não são mais imprescindíveis, já que os custos para começar um negócio são bem mais baixos, a infraestrutura pode ser pagar conforme você cresce e há investidores prontos para entrar no negócio quando você precisa de escala. Um outro artigo no Read/Write Web abordou esse assunto: ao contrário do passado, há cada vez mais espaço no mercado para pequenos investidores e pequenos investimentos, mais ágeis e flexíveis. Assim, as grandes empresas precisam repensar seus papéis neste novo jogo no mercado de tecnologia.
Conclusão? O poder está se movendo para as Pessoas Criativas. Você pode terceirizar quase tudo, mas não a criatividade. Mais importante ainda, vocês pode usar múltiplos fornecedores especialistas numa rede, em vez de ficar dependente de uma empresa grande que faça tudo para levá-lo ao mercado. Quando você considera os novos trabalhadores do conhecimento em países em desenvolvimento, você tem uma fórmula que mantém os preços baixos e os termos desses serviços muito razoáveis.
E para nós? Se pensamos na educação, e mais particularmente em EaD, a idéia de que “big is beautiful again”, de que teremos um McDonalds ou um Blockbuster de produção de conteúdo, que já discutimos por aqui, parece não ser a tendência. E o aututor, o docente online independente etc. parecem representar justamente essa tendência.
No ABC da EaD discutimos um pouco o poder das tecnologias disruptivas, como a Internet, no novo cenário da educação e particularmente da EaD.
*Publicado originalmente no site De Mattar

quarta-feira, 29 de junho de 2011

DEU BIBLIOTECA NA FEIRA FORTE!



Do dia 22 ao dia 26 de julho a Biblioteca participou, junto com a SOCAB - Amigos da Biblioteca, da Feira Forte 2011 no estande da Cultura.
A Secretaria de Cultura de Cabo Frio divulgou as unidades culturais e o trabalho de artistas da cidade e a Biblioteca esteve presente, promovendo lançamento e venda de livros e oficina para crianças. Essa parceria foi realizada com escritores da região e com a escritora Izabelle Valladares, que promoveu uma tarde de histórias e diversão com a oficina "Ler e Pintar", distribuindo livros e pipoca.
A Biblioteca Municipal parabeniza e agradece a participação dos escritores Lindberg Brito e Célio Guimarães, da Academia Cabo-friense de Letras, do professor Luiz Guilherme, da SOCAB, dos artistas plásticos Carlos Alberto Fouraux e Cássia Fouraux, da ALEART, da escritora Izabelle Valladares, da ARTPOP e dos artistas do Espaço Cultural, esperando contar mais vezes com essas parcerias. 
Agradece especialmente ao Secretário de Cultura, José Correia, à equipe do estande: Sr. Edson, Cláudia, Daniela, Mônica, Solange e Teresa, aos Amigos da Biblioteca, aos diretores das Unidades Culturais e à incansável diretora Zuleika Crespo que contribuiu, antes e durante o evento, para a participação "exemplar" da Biblioteca, como citou o Secretário.

Seguimos construindo uma Biblioteca mais dinâmica e acessível para todos!

Cidadania - Projetos Sociais - ONGs: Projeto Ponto de Cultura

Cidadania - Projetos Sociais - ONGs: Projeto Ponto de Cultura: "O projeto Ponto de Cultura leva a cultura a sério, além de levar educação cidadania para todos. Na entrevista o Presidente do Ponto de ..."

sábado, 18 de junho de 2011

Festas de São João

Tempo de festas juninas

Por Adoro Viagem

De São Paulo à Caruaru

Festas de São João É tempo de festas juninas
Uma das festas mais queridas pelos brasileiros é a festa junina. Desde as memórias infantis da festa da escola, onde cada classe deveria fazer sua performance no pau de fita e todos duelavam para conseguir o melhor presente na pescaria, até chegar o tempo em que enviar um correio elegante, depois de um pouco de quentão, se tornava mais interessante. Conheça uma pouco mais das tradições, da comemoração e das festas que você não pode perder, com o Adoro Viagem.
OS COSTUMES
 
Apesar das pingas, dos doces típicos brasileiros, das roupas caipiras, do forró e o baião, a verdadeira origem da festa junina não é do Brasil. É muito mais antiga do que a idade do país e vem lá da Europa com suas tradições pagãs. O motivo era o solstício de verão, quando o dia é mais longo que a noite, afinal quanto mais tempo de diversão melhor. Com a Idade Média e a cristianização de todas as festas e costumes, a data passou a ser associada à São João. Veja a tradição dessa festa nos diferentes países, em "Festas Juninas pelo Mundo".
 
Aliás, os santos são completamente atormentados nessa época, porque é nas festas juninas o momento para pedir tudo o que desejar. No nordeste, São Pedro costuma ser bastante homenageado para contribuir com um bom tempo, sendo gentil para as plantações, e pelo Brasil inteiro mulheres clamam a Santo Antônio para conseguir um namorado ou marido....não custa nada...vai que dá certo... Ao contrário de oferecer mimos ao santo a regra é fazê-lo sofrer...Coloca-los atrás da porta, dentro da geladeira ou enterrado até o pescoço, são medidas tomadas por muitas solteironas(os). 
 
Além das simpatias outros ítens são indispensáveis. Um deles a fogueira. Se em uma Europa pré-medieval, sem eletricidade, ela servia para esquentar e iluminar a festa da população, na lenda católica Isabel, prima de Maria, acenderia a fogueira sobre um monte para avisar o nascimento de João Batista, (o próprio São João) querendo dizer na verdade: "prima, venha me ajudar!"
 
Os balões e fogos de artifício são um costume trazido de Portugal, que além do efeito pirotécninco bonito, serviria para acordar São João. Nas terras lusitanas as pessoas escrevem pedidos em pequenos pedaços de papéis, que são colocados junto ao balão para subir aos céus, até o santo. Atualmente a prática é proibida por lei no Brasil, já que afinal de contas, tudo o que sobe, também desce. E tirando os piromaníacos ninguém precisa fazer um pedido assim, tão incendiário.
 
Outra cultura importada é a quadrilha, que tem origem na dança de salão francesa chamada quadrille, por sua vez  inspirada em uma dança camponesa da Inglaterra. Ela veio para cá no século XIX, quando a elite portuguesa e brasileira importava todas as últimas modas francesas, seja nas roupas, arquitetura ou nos hábitos. Com o passar do tempo, o ritmo francês começou a se misturar à cultura brasileira tipicamente rural, até chegarmos no tradicional compasso binário: "Olha a cobra, olha a chuva" e por aí vai...
 
No Brasil, temos dois tipos principais de festa junina: A nordestina com muito forró, baião, xote e uma comilança capaz de alimentar a cidade inteira e a caipira (típica de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás), muito ligada às quermesses das igrejas.
 
FESTAS IMPERDÍVEIS
 
Vamos ao que interessa as festas que  valem a pena conferir em terras brazucas. (Se estiver passeando pela Europa confira a lista das festas mais legais aqui.)
 
Festas não são somente diversão (isso é apenas a maior parte). As comemorações ocorridas em cidades do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. As cidades Cruz das Almas e Ibicuí disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru seja a oficial no Guinness Book, na categoria festa country (regional) ao ar livre. Por sua vez Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar.
 
Nordeste
 
Campina Grande na Paraíba, tem o maior São João segundo dados da EMBRATUR. Os circuitos de arraiais que duram todo o mês de junho, contam com muito forró pé-de-serra tradicional, que se intercala com o forró eletrônico moderno, reunindo uma multidão de 1,5 milhão de pessoas todos os anos no centro da cidade, em volta do palco montado no Parque do Povo. Como na época da festa os hotéis costumam ficar lotados, moradores que previamente registraram suas casas na prefeitura, e cujos lares atendem todas as exigências da vigilância sanitária, abrigam aqueles que chegaram atrasados para a festança. É a melhor forma de imersão na cultura local. A festa é tão boa que mesmo quem não conseguiu se hospedar na cidade, dá um jeito de ficar nos municípios próximos, que muitas vezes também ficam lotados.
 
Em Caruaru, Pernambuco, a sanfona, zabumba, pífano, triângulo e muitos outros instrumentos, compõe o forró e xaxado que tocam incessantemente durante o mês inteiro. A festa ficou famosa pela quantidade de quadrilhas acontecendo em todos os cantos da cidade, e todas muito originais! Se você não é do tipo que gosta de participar cuidado, você pode ser interceptado na rua, de repente, por uma das quadrilhas que passeiam por toda a cidade. Alguns exemplos são a Turisdrilha composta só por turistas, a Babydrilha só das crianças pequenas, a Motodrilha para os casais motoqueiros rock´n´roll que estiveram por lá e a Gaydrilha, já que na quadrilha esse casamento já acontece faz tempo. Na parte de culinária, a cidade vive tentando quebrar os recordes a cada ano, criando algum tipo de pé-de-moleque gigante ou o maior cuzcuz já feito no mundo. Além da festa e da -drilha que mais te interessar, um ótimo lugar para conhecer a cultura local é a feira permanente do Parque 18 de Maio, ótimo lugar para comprar lembrancinhas.
 
Sudeste
 
Não tem jeito, se você não for para uma cidade do interior onde todos vão para o centro comemorar o grande evento, você não vai se entregar plenamente ao espírito caipira. Em São Paulo a cultura country e caipira está mais do que na moda com baladas de sertanejo universitário em toda parte além dos circuitos de rodeios. Muitas tradições de festa juninas são mantidas o ano todo. Mas se não for sair da capital especificamente, as festas mais tradicionais são a do Clube Pinheiros, que reúne artistas famosos e todo tipo de pessoa, desde as peruas associadas ao clube com suas bolsas de grife a tiracolo até alunos do colegial que estudam na redondeza. A do Jokey Club pesa mais para um lado country do que caipira, ideal para ir de camisa xadrez e botas de couro. No estilo quermesse, uma das maiores é a da Igreja do Calvário, misturando várias tradições, onde é possível encontrar barraquinhas uma ao lado da outra, servindo quantão, yakissoba, acarajés, fogazzas e pizzas,com aquilo que o paulistano mais aprecia, a combinação de culturas.
 
Norte
 
Seguindo a rota de Belém a Manaus, a festa por lá é chamada de Caboclada e a manifestação cultural mais importante é a do Boi-Bumbá, com competição entre apresentações de diversos grupos. O mais famoso é o Festival Folclórico de Parintins, realizado desde 1913. Com algumas variações de enredo e atualmente as chamadas "meias luas",  versões simplificadas da história, a que costuma predominar, sendo a mais característica, é a do Maranhão, que apesar de ser parte do nordeste, compartilha a tradição do norte, com o Bumba-meu-boi. A história conta sobre Pai Francisco, um empregado de uma fazenda que mata um boi do seu amo para atender aos desejos de comer a língua de sua esposa grávida. Para acalmar o amo furioso com o "roubo", pajés e curandeiros ressuscitam o boi. Com momentos dramáticos e cômicos, pode ser considerada uma das apresentações folclóricas mais bonitas do Brasil.
 
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Crédito das Fotos: Divulgação
É tempo de festas juninas

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

EXPOSIÇÃO ITINERANTE "PARAÍBA DO SUL: UM RIO DE HISTÓRIAS" NO RJ



EXPOSIÇÃO SOBRE O RIO PARAÍBA DO SUL JÁ FOI VISTA POR 4 MIL PESSOAS

Noticias Assembléia Legislativa RJ

A exposição itinerante "Paraiba do Sul: um rio de histórias" chegou à cidade que tem o mesmo nome do caudaloso rio que abastece mais de 30 cidades entre os estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Promovida pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a mostra, que já foi vista por cerca de 4 mil pessoas nas últimas cidades por onde passou - Vassouras, Barra do Piraí e Pinheiral -, permanece até o próximo domingo (19/06) no saguão da Câmara de Vereadores de Paraíba do Sul.
"É um presente da Casa legislativa estadual para a nossa cidade. Uma forma de respeito e homenagem à população paraibana, que tanto preza pela cultura. Somente no primeiro dia recebemos cerca de 350 visitantes, um excelente resultado", avaliou o presidente da Câmara, vereador Paulo Celso de Azevedo (PMDB), o Jacaré, que visitou a mostra nesta terça-feira (14/06).
"Essa exposição é essencial para a conscientização ambiental. Precisamos conservar o que temos, é uma obrigação, mas essa consciência deve ser rotineira. Levar a exposição para outros municípios aperfeiçoa esse processo na defesa dos recursos naturais e do meio ambiente", considera o presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB).
Segundo a presidente da Fundação Cultural de Paraíba do Sul (Fundac), Lígia Vaz, o papel informativo da Alerj no interior é de grande importância. "Sentimo-nos agraciados porque ganhamos um instrumento de conscientização, através de uma visão de beleza do nosso paraíba. É possível, através da imagem, conscientizar e alertar os jovens para a real situação do rio. É uma forma de gritarmos em silêncio, usar a imagem, para que não poluam o rio e nem desperdicem água", alertou.
A mostra foi produzida pelo fotógrafo da Diretoria de Comunicação Social e Cultura da Alerj, Rafael Wallace, e pelo jornalista Romildo Guerrante, com o objetivo de alertar o povo fluminense sobre a necessidade de preservação deste patrimônio natural do estado, que beneficia diretamente mais de 12 milhões de cidadãos. Esta exposição é um alerta sobre a importância deste rio, que cruza 37 municípios. Além disso, a mostra pretende ser um alerta sobre a necessidade de cuidarmos deste patrimônio natural.
O rio Paraíba do Sul, o mais importante do estado, é fonte de água, trabalho, alimento, energia e lazer para milhões de cidadãos, nos 500 quilômetros de seu percurso em terras fluminenses. A cidade de Três Rios receberá a exposição entre os dias 20 e 26 de junho.
(texto de Symone Munay)
LEIA MAIS:

Exposição na Paraíba do Sul alerta necessidade de  preservar o meio ambiente - clique aqui





BLOG SOS RIOS DO BRASIL
ÁGUA - QUEM PENSA, CUIDA!

sábado, 11 de junho de 2011

FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO SAQUAREMA 12 JUNHO 2011

Cultura Popular de Saquarema
SAQUARASTA RASTA SURF MUSIC PRODUÇÕES
Canal de saquarasta

terça-feira, 31 de maio de 2011

Notícias de Saquarema

Notícias de Saquarema
Notícia n° 1956

Gincana de Pintura reúne artistas de várias cidades
em: 31/05/2011

Com cerca de 50 participantes, a Gincana de Pintura “Pinte Saquarema” promovida pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura foi um sucesso. Durante o domingo, 28/05, os artistas se empenharam em produzir quadros de rara beleza. A solenidade de premiação aconteceu na Casa de Cultura Walmir Ayala com presença da secretária de Educação e Cultura, Ana Paula Giri Fortunato. Roger Viana faturou o primeiro prêmio. No voto popular, o primeiro lugar ficou com Rodrigo Buarque Enes. Luiz Fernando de Oliveira e José Pereira Filho conquistaram o segundo e terceiros lugares, enquanto Flávio Rangel e Paulo Sergio Gomes receberam menções honrosas.

FOTOS: Waldo Siqueira


A Maior flor do Mundo

A Maior Flor do Mundo

"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?
José Saramago

No Dia da Criança, e para as crianças de todas as idades fica a curta-metragem de animação baseada no livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago. De Juan Pablo Etcheverry, com música de Emilio Aragón e narração de José Saramago. Produção de Continental Animación.


A Maior Flor do Mundo from Fundação Jose Saramago on Vimeo.
créditos, link aqui.

sábado, 28 de maio de 2011

O Rio por tintas estrangeiras

O Rio por tintas estrangeiras
'Bonito por natureza: Rio ontem e hoje' ocupa o Museu da Chácara do Céu até 19 de setembro
A Baía de Guanabara  (Crédito: Jaime Acioli)
 Entrada da Barra perto do alto-mar, 1820
Montanhas do Rio vistas de Niterói, 2009
Vista do Aqueduto do Rio de Janeiro, 1816
Aqueduto com a Rua Matacavalos (atual Rua do Riachuelo), 1820
A cidade fundada entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão, que se tornaria capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, serviu durante séculos como porto seguro para comerciantes, aventureiros e artistas estrangeiros. Atraídos por missões culturais ou por ímpetos de coragem, nomes como R. P. Boys e Emeric Essex Vidal deixaram registradas suas passagens pela cidade carioca, em forma de belas pinturas. Alguns exemplos dessas telas podem ser conferidos na exposição Bonito por natureza: Rio ontem e hoje, que ocupa o Museu da Chácara do Céu até 19 de setembro.

A mostra traz em seu título uma homenagem à música de Jorge Ben Jor, País Tropical, e apresenta para o público o contraste entre antigas pinturas e novas fotos, tiradas pelos fotógrafos Jaime Acioli e Almir Reis. Ambos aceitaram o convite da curadora da mostra, Anna Paola Baptista: “Jaime fez todas as fotos exclusivamente, já que ele trabalhava com temáticas diferentes - fotos macro de elementos da natureza, enquanto Almir fotografou algumas obras especialmente para a mostra, mas trouxe também algumas obras anteriores porque já se enquadravam no espírito da exposição”, explica Anna Paola.

Rio Bucólico

As 22 pinturas em exposição pertencem ao acervo Brasiliana, uma parte da coleção de 22 mil peças reunidas por Castro Maya ao longo de 50 anos. Aquarelas, desenhos, litografia e guache foram algumas das técnicas utilizadas por pintores estrangeiros para retratar algumas das belas paisagens do Rio, como a entrada da Baía de Guanabara, o Aqueduto da Carioca, hoje conhecido como Arcos da Lapa, e o Pão de Açúcar.

Para escolher as peças em exposição, Anna Paola pesquisou entre os quase mil itens da coleção Brasiliana e usou diversos critérios: “O primeiro era manter todas as obras em papel, já que íamos contrapor fotografias. Com isso eliminamos as pinturas sobre tela. Depois pensei que era uma oportunidade de mostrar peças um pouco menos conhecidas. Nesse sentido eliminei os artistas como Debret, Rugendas, etc. Por outro lado eu queria aproveitar para expor o grande panorama circular de Emeric Essex Vidal, com mais de 5m de comprimento e, portanto, de difícil montagem. Ele não era visto no Museu da Chácara do Céu desde 1998.”

Ode ao Pão de Açúcar

Para comparar com os antigos registros, novas imagens apresentam as mudanças geográficas e urbanas da cidade. A lente do fotógrafo Jaime Acioli teve um alvo constante, o Morro do Pão de Açúcar. Segundo ele, foi uma forma de homenagear os pintores presentes na exposição: “Decidi fotografar somente o Pão de Açúcar por ser a porta de entrada dos viajantes que para cá vieram retratar as obras do acervo do Museu”, explica Jaime.

Já Almir Reis foca em um Rio mais moderno e contemporâneo, retratando o dia a dia da cidade: “Me aprofundei na arte da fotografia como um meio de expressão artística, usando e abusando da computação gráfica, multiplicando imagens com cores surreais e fazendo uma nova linguagem do que estamos acostumados a ver” , relata Reis, sobre seu processo de trabalho.

Confira mais informações em Programação Cultural.


Colaboração de Gustavo Durán


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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Fórum da ONU discute papel do Estado na defesa de povos indígenas

Fórum da ONU discute papel do Estado na defesa de povos indígenas

Por Nerter Samora para o Século Diário
Durante o Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas, realizado ao longo das últimas duas semanas em Nova York, a ativista dos diretos indígenas Dorough Dalee Sambo defendeu que os Estados-Membros das Nações Unidas têm a responsabilidade de defender os princípios enunciados na Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. A declaração – repercutida entre os mais de 1,6 mil delegados de todo o mundo que participaram do encontro – serve de alerta para a situação dos indígenas no Espírito Santo.
“A realidade da Declaração da ONU é que os direitos dos povos indígenas não surgiram da boa vontade dos Estados,” disse Dorough, em nota repercutida pela Agência ONU.
“Pelo contrário, é por causa de toda a história da exploração e colonização, bem como toda a gama de violações dos direitos humanos, que a comunidade indígena tem pressionado a ONU a abrir as suas portas para que tomemos o nosso legítimo lugar não só no contexto dos direitos humanos, mas também nos do meio ambiente, da paz e da segurança,” disse a jornalistas à margem das deliberações no Fórum de duas semanas.
De acordo com Sambo, as brutais violações dos direitos fundamentais das comunidades persistem em várias localidades do mundo. A ativista citou que as violações acontecem até mesmo em áreas nas quais algum sucesso foi alcançado, como no Canadá, onde um acordo sobre o uso da terra entre
comunidades indígenas em Nunavut tem enfrentado problemas de execução. Exemplo parecido com o que ocorre com as comunidades que resistiram à expansão da monocultura do eucalipto em Aracruz.
Após reconhecimento de terras, índios capixabas reclamam do não cumprimento de promessas. Apesar da homologação do decreto das terras indígenas Tupinikim e de Comboios, em Aracruz, totalizando pouco mais de 18.154 hectares, no ano de 2007, a situação pouco mudou logo depois. De acordo com indígenas, o registro das terras, entre outras providências prometidas na ocasião, ainda não saiu do papel.
Segundo os indígenas, falta vontade do poder público e também verba para subsidiar as ações. Em carta enviada à Fundação Nacional do Índio (Funai), as lideranças indígenas reclamam da burocracia e da demora para o cumprimento da integra do acordo. “Enquanto a Funai diz que temos que nos organizar, eles não se organizam”, desabafam.
Além do registro de terras que ainda não foram entregues aos índios, eles afirmam que também não foi feita a apresentação do estudo etnoambiental com a presença de técnicos da CGGAM; não foi feita a desinstrução de posseiros; não foi assinado o termo de cooperação entre Funai e Estado e nem criado o comitê regional, cujo objetivo era dar voz aos índios nas decisões do órgão.
Após as portarias demarcatórias de 2007, quando os índios assinaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a ex-Aracruz para terem de volta as suas terras, o objetivo dos índios era colocar em prática sua cultura de manejo e produção de alimentos, buscando projetos autossustentáveis na região, mas, segundos eles, ainda não foram garantidos meios para a autogestão das comunidades.
créditos, link aqui.

domingo, 22 de maio de 2011

Cultura

VISITA AO PALÁCIO TIRADENTES É OPÇÃO DE LAZER NO CENTRO DO RIO


ASCOM

O edifício sede da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) está integrado ao corredor cultural do Centro da cidade com a “Exposição Permanente Palácio Tiradentes – Lugar de Memória do Parlamento Brasileiro”, aberta à visitação pública de segunda-feira a domingo. Além de uma exposição no segundo andar, que conta a história do Parlamento no Brasil desde o Império até os dias atuais, os visitantes podem conhecer o Salão Nobre, a Biblioteca e o Plenário da Casa. Foi desse prédio, sede do antigo Parlamento e da cadeia local, que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, saiu para ser executado, no dia 21 de abril de 1792. As visitas são monitoradas por um grupo de alunos de licenciatura em História na Universidade do Estado do Rio (Uerj), que, em sua maioria, fala inglês, francês e espanhol, a fim de melhor atender os turistas estrangeiros. São atendidos quatro grupos por dia, com até 44 pessoas, de escolas públicas e privadas. Para as instituições públicas a Alerj manda ônibus, bastando agendar pelo telefone (21) 2588-1251. A exposição funciona no segundo andar do Palácio, de segunda-feira a sábado, das 10h às 17h, e aos domingos e feriados, das 12h às 17h.

(texto Symone Munay)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Boletim do GEDAI discute o papel do ECAD e a gestão coletiva de direitos autorais

gedai

O Grupo de Estudos de Direito Autorais e Informação (GEDAI) faz parte do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina e é responsável pela publicação do “Boletim do GEDAI”, uma espécie de revista digital que traz artigos e notas sobre diversos aspectos do direito autoral na atualidade. Em sua edição de maio, o Boletim traz como tema a gestão coletiva de direitos autorais. Tal tema acompanha a grande discussão levada atualmente, de forma bastante ativa na internet, sobre o papel do ECAD, a supervisão e fiscalização por parte do Estado brasileiro e sobre o anteprojeto da reforma da Lei de Direitos Autorais.
Nessa mais nova edição, o Boletim do GEDAI traz informações acerca dos números e arrecadação do ECAD, um artigo sobre a supervisão do Estado na gestão coletiva de direitos autorais, uma comparação de jurisprudência brasileira e espanhola, e um texto sobre o estudo da “Consumers International” que considera o Brasil como o país com a 4ª pior Lei de Direitos autorais.
Para ler o Boletim do GEDAI, basta fazer o download através desse link ou visitar o site do grupo de estudos, no qual é possível encontrar também mais informações sobre o projeto e as edições anteriores do boletim.

sábado, 14 de maio de 2011

Mauro Dias: "Breve história de um golpe"

O seguinte -- excelente -- artigo de Mauro Dias sobre a infame campanha para derrubar a ministra Ana de Hollanda foi publicado pelo jornal O Globo no sábado, 13 de maio. Aliás, no seu blog (http://mauromaurodias.blogspot.com/), Mauro postou um artigo mais longo sobre o mesmo tema.



Breve história de um golpe

O movimento para expulsar Ana de Hollanda do comando do Ministério da Cultura tem caráter golpista. É coisa de quem se achava sucessor natural de Gilberto Gil e Juca Ferreira e se viu preterido. É coisa de partido que julgava ser chegada sua hora e caiu em frustração. Para ser preterido por quem? Não por uma acadêmica notável, ou figura notória, mas por uma cantora independente, pouco conhecida e que, além do mais, se julga dona do próprio nariz. E comete o desplante de querer dar nova ordem à casa.

Para começo de conversa, Ana de Hollanda mandou tirar da página do ministério o link para um mecanismo privado chamado Creative Commons (CC), alegando tratar-se de peça publicitária. O Creative Commons ajuda um criador (autor, intérprete, o que seja) a abrir mão, parcial ou totalmente, de seus direitos autorais. A questão, alegou a ministra, muito acertadamente, é que a legislação ordinária brasileira já trata do assunto. Portanto, não é necessário usar uma ferramenta privada para alcançar o mesmo fim. Além disso, o fato de o link figurar com destaque na página do ministério lhe parecia induzir o criador a abrir mão de seus direitos. E ela acha que os autores devem receber pelo que criam.

Daí sua defesa do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (de direitos autorais) - Ecad. Até os pombos da Praça Mahatma Gandhi sabem que o Ecad funciona mal, tem sérios problemas de gestão e precisa ser consertado - jamais implodido, como quer a mesma turma que defende o link do CC na página do Ministério da Cultura. Pois o Ecad tem compromisso com a propriedade intelectual. Os defensores do CC dizem que a propriedade intelectual dificulta o livre trânsito de informação. Só que esse "livre trânsito" traz muito dinheiro para quem faz a informação circular. Por que o criador, e só ele, deve abrir mão de sua parte?

Esses dois tópicos - CC e Ecad - são a parte mais visível da orquestração para expulsar Ana de Hollanda do Ministério da Cultura, do golpe em andamento. Mas é possível imaginar que, se a ministra deixasse tudo como estava, ainda assim sofreria campanha difamatória por parte dos preteridos. O que está em pauta não é cultura ou política cultural, é poder. (E é importante dizer que o Creative Commons não foi proibido, nem mesmo condenado. Só saiu da página do MinC. Quem quiser usar, use. Está na internet.)

A campanha em curso, além de desleal, é maligna, perniciosa, nociva, pois ter um artista independente no Ministério da Cultura é coisa ótima para a cultura. Independente é quem não orienta a obra pela grande indústria do entretenimento, não se deixa dobrar por injunções de caráter comercial. É quem tem como guia criativo o primado estético, a convicção do sotaque, a compreensão da diversidade. Quem, portanto, pode olhar de forma mais generosa para a grandiosa, plural e pouco conhecida produção da cultura nacional e, a partir do olhar generoso, criar e incentivar políticas públicas que nos defendam da mesmice, do marasmo, da redundância. Coisa que é, por sinal, papel do Ministério da Cultura.






sábado, 7 de maio de 2011

Cultura

Orquestra Ganha um Belo Presente de Ziraldo.


A Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro – OSRJ ganhou um belíssimo presente do ZIRALDO.



Uma logomarca criada com inspiração no slogan "A Orquestra mais Carioca do Rio de Janeiro" e um personagem que segundo o Maestro e Diretor Artístico - Rafael Barros de Castro - traduz o trabalho."É a nossa cara, pois o maestro de bermuda e casaca mostra um pouco da versatilidade da orquestra, que vai do clássico ao popular ".